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Eleições 2026 no Brasil: soberania, recursos estratégicos e integridade democrática

  • Foto do escritor: TV da Democracia
    TV da Democracia
  • 25 de ago.
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 3 dias



Helena Dolabela


As eleições presidenciais de 2026 no Brasil transcendem a tradicional disputa por

projetos de governo. Em um cenário global marcado tanto pelas mudanças climáticas

e os eventos naturais extremos quanto pela intensificação da competição entre

grandes potências pela liderança tecnológica, energética e industrial, os países

detentores de recursos estratégicos estão no centro das transformações geopolíticas

do século XXI.


Nesse contexto, o Brasil ocupa posição singular. O país possui a maior floresta tropical

do planeta, enorme biodiversidade, abundância de água doce, parte significativa das

reservas mundiais de minerais críticos, incluindo terras raras, além de uma das

matrizes elétricas da cadeia mais limpas do mundo. Esses ativos conferem ao Brasil

importância estratégica para a regulação do clima, a segurança alimentar, a transição

energética e o fortalecimento da cadeia produtiva tecnológica no âmbito regional e

global.


A crescente demanda por terras raras, lítio, nióbio e outros minerais essenciais à

produção de semicondutores, baterias, veículos elétricos, inteligência artificial e

equipamentos militares transformou a política mineral em um tema de segurança

nacional para diversas potências. Paralelamente, a agenda climática passou a integrar

a política econômica internacional, influenciando investimentos, comércio,

financiamento e cooperação internacional.


Diante desse cenário, as decisões políticas tomadas pelo Brasil sobre exploração

mineral, proteção ambiental, bioeconomia, Amazônia, infraestrutura, segurança

energética e política industrial possuem repercussões que ultrapassam suas fronteiras.

Consequentemente, governos estrangeiros, organismos internacionais, empresas

multinacionais, fundos de investimento, organizações não governamentais e

plataformas digitais acompanham atentamente o ambiente político brasileiro.


A atuação desses atores pode ocorrer dentro dos limites legítimos da cooperação

internacional e do debate democrático. Entretanto, em um ambiente de elevada

competição geopolítica, também aumenta a necessidade de monitorar potenciais

mecanismos de influência externa sobre processos decisórios nacionais. Essa

preocupação não se restringe a um único país, mas alcança todas as potências com

interesses estratégicos no Brasil, incluindo Estados Unidos, China, União Europeia e

outros atores relevantes.


A defesa da soberania nacional não se opõe à cooperação internacional. Ao contrário,

pressupõe que as decisões sobre recursos naturais, política ambiental,

desenvolvimento econômico e inserção internacional sejam tomadas de forma

transparente, autônoma e orientadas exclusivamente pelos interesses da sociedade

brasileira.


Nesse contexto, fortalecer a integridade eleitoral torna-se igualmente essencial. A

transparência no financiamento político, a rastreabilidade de campanhas de influência,

a proteção do debate público contra operações coordenadas de desinformação e a

fiscalização de eventuais pressões econômicas ou políticas constituem elementos

indispensáveis para preservar a legitimidade democrática.


O Instituto de Política e Integridade surge como um espaço dedicado à produção de conhecimento independente sobre governança, democracia, integridade pública e

geopolítica. Nesse momento eleitoral, o IEPI busca acompanhar não apenas os

discursos políticos relacionados a essas temáticas, mas também interesses e

influências, em âmbito doméstico e internacional, na configuração das candidaturas

que serão construídas ao longo do pleito eleitoral.


As eleições de 2026 representam uma oportunidade para reafirmar um princípio

fundamental: a floresta amazônica e os recursos estratégicos brasileiros pertencem ao

povo brasileiro, e as escolhas sobre seu futuro devem ser conduzidas por instituições

íntegras, transparentes e comprometidas com o interesse nacional. Em um mundo

cada vez mais competitivo, preservar a autonomia das decisões públicas é condição

indispensável para garantir desenvolvimento sustentável, segurança econômica e o

fortalecimento da democracia.

 
 
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INSTITUTO DE ESTUDOS EM POLÍTICA E INTEGRIDADE ELEITORAL - IEPI

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